recomece correio desconstruindo cultuando
30 de junho de 2016

De dentro pra fora, a identidade e suas bagagens.


Esses últimos cinco meses foram um tanto interessantes para mim. E pensar quem em 18 anos eu já vivi milhares de experiências com Deus, Ele conseguiu me surpreender mais do que eu imaginava nesse tempo. Eu posso lhes dizer que passei por momentos de dor, auto-reconhecimento e tristezas, mas acima de tudo pude descobrir um pouquinho mais acerca da minha identidade e sobre a plenitude da bondade de Deus que exala um caráter soberano que nunca muda. Hoje, em meu retorno repentino no blog, nada mais justo que compartilhar esse testemunho. Você precisam conhecer mais um pouco da minha história.

Em janeiro desse ano eu comecei uma nova fase da minha vida. Fase essa que envolve e abrange uma atmosfera que eu nunca conheci no meu tempo de colegial. Atmosfera que, se não fosse o nível de intimidade que eu tenho com o Espírito Santo, eu poderia facilmente me deixar ser corrompida. Entrei para a faculdade de Jornalismo. Um grande passo na minha listinha de metas a se cumprir antes de seguir a carreira do meu chamado e eu tenho certeza que foi Ele quem me capacitou em cada desafio que tenho enfrentado desde o começo. Relacionamentos, provas, trabalhos do curso e lá estava o meu Dono guiando a minha caminhada. Tudo novo!

Mas não muito novo assim, aconteceram coisas que me marcaram, causaram cicatrizes irreversíveis nesse período e eu cheguei a me perguntar o porquê de ser necessário passar por um deserto tão doloroso para alcançar a graça entrelaçando os meus ossos de dentro pra fora, desconstruindo ainda mais as minhas vontades e expectativas, mas Deus continuou se fazendo presente. Eu não estava vivendo e sim sobrevivendo. Sobrevivendo quando havia perdido a minha melhor amiga para amarguras e rancores, fazendo com que eu me sentisse acuada em certos pontos. Sobrevivendo quando eu e minha mãe passávamos por um momento de dificuldade aqui em casa, pois não estávamos com uma condição financeira digna e as vezes até um pão faltava. Sobrevivendo quando, na faculdade, o meu grupo se afastou de mim por achar que eu não estava sendo justa em algumas colocações que, na verdade, eu estava certa. Chegava a pensar que talvez eu tivesse sido separada para ficar só por me considerar diferente. Isso foi gerando algumas bagagens pesadas que eu precisava liberar perante ao Senhor, no princípio tudo foi desenvolvendo uma cadeia de consequências dessas escolhas. O afastamento de alguns planos não foram premeditados e então eu escolhi me preservar em oração para entender a vontade do Abba para aqueles instantes.

Não parece engraçado a maneira como tratamos as situações de mágoas como se fossem meros frutos de sentimentos e emoções? O conhecimento da palavra chegou ao meu coração e eu percebi que essa justificativa é uma mentira. A amargura é um vírus na alma. Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus. Que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando a muitos. Hebreus 12:15 A raiz desse mal vai muito além da sua percepção, ela produz um forte envenenamento ao seu íntimo atraindo a presença do inimigo causando desgaste, ódio, repulsa e antipatia, deixando cegos os nossos olhos nessa área e impedindo que avancemos em outras.

A raiz da amargura
+ Uma ferida emocional que não foi tratada
+ Infecciona e torna-se uma ferida espiritual
+ Adoece a mente, a alma e o corpo
+ O estado da pessoa fica ainda mais grave
+ Há pessoas que foram feridas por alguém que amavam ou confiavam, ou significavam muito para elas
+ Elas tem raízes de amarguras

Então comecei a pensar nos procedimentos para voltar a origem da posição a qual Deus estabeleceu para a minha vida. Sabemos que existem inimigos dessa aproximação e o Senhor quer desafiá-los ainda dentro de nós. O desejo do coração dEle é que sejamos inundados por toda a Sua glória, a fim de que venhamos a aprender a não só falar sobre o perdão como um mandamento bíblico mas a colocá-lo em prática como o princípio da sabedoria em exercício com o amor. Eu aprendi essa verdade na marra. Comecei a olhar os parâmetros de toda essa situação como Ele enxergava: com mansidão, benevolência e misericórdia. Logo todo aquele aborrecimento começou a se transformar em um anseio ardente para abençoar quem e aquilo que estava me ferindo, causando estragos muito bruscos, eu estava confiante que o meu Pai faria algo novo a partir dessa disposição. Ele ouviu, como sempre ouve. E também respondeu, na mesma velocidade com que o arrependimento revelou a redenção.

A raiz da liberação do perdão
+ Deus não aceita o culto de um coração magoado
+ Ele nos instrui a tratar a ferida
+ E a não espalhar o veneno da amargura
+ Vá até a pessoa que te magoou
+ Perdoe... Perdoe... Perdoe...

Deus preparou o momento perfeito. Um culto, onde a pauta do assunto era exatamente o que eu precisava ouvir, foi ministrado à mim como uma flecha certeira. Eu sabia que nesse dia Ele confirmava tudo aquilo que estava ansiando há meses como uma solução para o problema. Abracei a minha amiga e literalmente sentimos, aos prantos, a quebra das amarras do pecado que todo aquele mal havia nos causado no invisível. Fomos tomadas pelo alívio, Ele tinha um propósito para nós duas mesmo ainda na nossa separação.

Todos nós temos uma história e carregamos bagagens ao longo dos anos. Elas podem vir a serem boas ou ruins e, de certa forma, se mostram importantes. Um exemplo interessante é que quando viajamos nos parece muito útil utilizar uma mala para transportar e guardar as nossas coisas para um destino, servindo em reservar exatamente para esse propósito em momentos específicos. Porém, muitas vezes, estamos carregando peso morto, como acontece com as bagagens de dor no mundo natural e espiritual. Nós podemos estar tão acostumados com elas ao ponto de não abrir mão por orgulho de um ego inflamado, fazendo com que, ao longo do caminho, elas se acumulem pesando o nosso caminhar sem que saibamos o porquê de estar pesado. Isso nos leva a se sujeitar à culpa e condenação que o inimigo insiste em adicionar sobre as nossas vidas.

Deus nos amou quando simplesmente éramos inimigos dEle e diante das nossas sensações momentâneas prefira compactuar com o que a palavra diz ao nosso respeito. Se nós baseássemos a nossa fé em Deus e no quanto julgamos que valemos, diante dEle e dos homens, através desses sentimentos a nossa trajetória seria, literalmente, uma montanha-russa. Elas vem e vão, mas as Suas palavras permanecem para toda a eternidade. De fato, por vezes Ele nos leva por vales, depois nos conduz à montanhas. O próprio Espírito Santo conduziu Jesus a ser tentado no deserto. Acredite que o Abba quer que sejamos fortalecidos através disso a fim de nos ensinar as lições mais valiosas do que qualquer situação boa que poderíamos nos encontrar. E depois de atravessarmos, Ele nos dirige a olhar para trás, diante de tudo aquilo que já se passou, para ver como a perspectiva do Alto faz sentido.

A melhor obra que Jesus quer fazer não é através de você e sim em você. Caminhe nessa revelação e verás que o amor de Deus lhe conduzirá à lugares altos. O próprio SENHOR irá à sua frente e estará com você; ele nunca o deixará, nunca o abandonará. Não tenha medo! Não se desanime.Deutoronômio 31:8

Que a paz esteja com vocês.

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